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Nova espécie de tubarão-andador é descoberta em Papua-Nova Guiné

Uma nova espécie de tubarão-andador foi oficialmente descrita por pesquisadores em Papua-Nova Guiné. Embora fosse conhecida há muito tempo pelos moradores do sudeste do país, a espécie ainda não havia sido reconhecida pela ciência. Localmente, o animal é chamado de kadedekedewa, nome associado ao seu modo lento e diferente de se locomover pelos recifes.


A nova espécie recebeu o nome científico Hemiscyllium dudgeonae, em homenagem à ecóloga Christine Dudgeon, uma das autoras do estudo. Ela encontrou o primeiro indivíduo em março de 2025, enquanto procurava outra espécie de tubarão nas águas rasas de Milne Bay. O animal media aproximadamente 76 centímetros e apresentava um padrão de manchas e traços diferente daquele observado nas espécies já conhecidas.


Como um tubarão consegue “andar”?

Os tubarões do gênero Hemiscyllium são conhecidos como tubarões-andadores ou tubarões-epaulette. Eles possuem fortes nadadeiras peitorais, que são utilizadas como apoio durante o deslocamento pelo fundo. Em áreas rasas e durante a maré baixa, esses animais conseguem atravessar partes do recife com grande parte do corpo fora da água.

Apesar do nome popular, eles não caminham como animais terrestres. O movimento acontece por meio do apoio e da movimentação alternada das nadadeiras, permitindo que avancem sobre o fundo dos recifes.


O DNA confirmou a nova espécie

Depois do primeiro encontro, os pesquisadores passaram alguns dias procurando outros exemplares. Ao todo, foram encontrados 12 indivíduos. Amostras biológicas foram coletadas de nove deles, enquanto três foram mantidos para estudos posteriores. As análises genéticas mostraram que os animais eram suficientemente diferentes das outras espécies conhecidas para serem reconhecidos como uma nova espécie.


A descoberta representa a primeira nova espécie descrita dentro do gênero Hemiscyllium desde 2013. Antes dela, eram reconhecidas nove espécies de tubarões-andadores.


Onde esse tubarão vive?

Os exemplares foram encontrados entre as ilhas Amphlett e Trobriand, ao norte de Milne Bay. Os pesquisadores acreditam que a distribuição da espécie possa incluir outras ilhas próximas, mas ainda são necessários novos estudos para compreender sua verdadeira área de ocorrência.


A espécie parece permanecer principalmente em águas rasas, utilizando ambientes com pradarias marinhas e formações de coral. A descoberta chama atenção justamente por ter acontecido em uma região costeira, já que muitas vezes as áreas profundas são consideradas as partes mais desconhecidas do oceano.


Descoberta e ameaça ao mesmo tempo

Mesmo tendo sido recentemente descrito, o novo tubarão já preocupa os pesquisadores. A espécie pode possuir uma distribuição geográfica restrita, o que aumenta sua vulnerabilidade às alterações locais do ambiente.


Entre as possíveis ameaças mencionadas estão o branqueamento dos corais causado pelas mudanças climáticas, a perda e degradação do habitat, o desenvolvimento costeiro e a expansão das plantações de óleo de palma. Os cientistas pretendem continuar estudando a espécie para reunir informações que possam contribuir para uma futura avaliação pela União Internacional para a Conservação da Natureza.


A descoberta de Hemiscyllium dudgeonae mostra que ainda existem muitas espécies desconhecidas pela ciência, inclusive em ambientes rasos e próximos às comunidades humanas. Conhecer esses animais, sua distribuição e suas necessidades é fundamental para que medidas de conservação sejam desenvolvidas antes que suas populações sejam gravemente afetadas.


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Referência: KUTA, Sarah. Scientists Discover a New Species of “Walking” Shark in Papua New Guinea. They Suspect It’s at Risk of Going Extinct. Smithsonian Magazine, 17 jun. 2026.

 
 
 

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