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Alterações Cutâneas Emergentes em Golfinhos da América do Sul: padrões, hipóteses etiológicas e implicações para a conservação


Alterações cutâneas emergentes vêm sendo registradas com maior frequência em odontocetos da América do Sul, levantando preocupações quanto à saúde dessas populações e às condições ambientais em que estão inseridas.


Um estudo epidemiológico conduzido por Van Bressem et al. (2015) descreveu a ocorrência de cinco tipos distintos de lesões dermatológicas, classificadas com base em suas características macroscópicas: placas marrom-esverdeadas (GBP), manchas alaranjadas (OPA), nódulos cutâneos (NOD), dermatite pálida (PAD) e lesões anulares expansivas (EAL).


Essas alterações foram observadas em espécies costeiras, como Sotalia guianensis e Tursiops truncatus, apresentando ampla variação quanto à extensão e severidade. Em alguns indivíduos, as lesões atingiram aproximadamente 40% da superfície corporal visível, o que pode indicar impactos significativos na integridade tegumentar e na fisiologia desses animais.


Até o momento, não há identificação conclusiva de um agente etiológico específico. Entre as hipóteses levantadas estão a atuação de patógenos emergentes, a exposição a contaminantes químicos, alterações ambientais e possíveis disfunções na resposta imunológica dos indivíduos afetados.


Estudos longitudinais sugerem que determinadas condições, como a dermatite pálida (PAD), podem apresentar regressão espontânea ao longo do tempo. Por outro lado, lesões anulares expansivas (EAL) têm sido associadas a quadros mais severos, especialmente em filhotes, indicando maior vulnerabilidade em estágios iniciais de desenvolvimento.


A ocorrência dessas alterações em diferentes regiões — incluindo o Atlântico Sudoeste e o Pacífico Sudeste — reforça a importância do monitoramento sistemático da saúde de cetáceos. Nesse contexto, abordagens integradas envolvendo patologia veterinária, microbiologia, ecotoxicologia e ecologia marinha são fundamentais para elucidar a etiologia dessas lesões, compreender sua dinâmica e avaliar seus impactos sobre as populações.


Além de sua relevância clínica, essas alterações podem atuar como importantes indicadores da qualidade ambiental, refletindo pressões antrópicas e mudanças nos ecossistemas marinhos.



📚 CITAÇÃO (ABNT)

VAN BRESSEM, M.-F. et al. Epidemiological characteristics of skin disorders in cetaceans from South American waters. Latin American Journal of Aquatic Mammals, v. 10, n. 1, p. 20–32, ago. 2015. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/258972808_Epidemiological_characteristics_of_skin_disorders_in_cetaceans_from_South_American_waters. Acesso em: 26 mai. 2024.


 
 
 

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