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Desovar custa energia: o que acontece com o organismo das tartarugas-marinhas durante a reprodução?

há 1 dia
2 min de leitura

A temporada reprodutiva representa um período de grande demanda energética para as tartarugas-marinhas. Além das migrações até as áreas de reprodução, as fêmeas podem realizar diversas posturas ao longo de uma mesma temporada, exigindo importantes adaptações fisiológicas.


Um estudo publicado em 2026 no Journal of Comparative Physiology B avaliou justamente essas alterações por meio de exames de sangue de três espécies: tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e tartaruga-verde (Chelonia mydas).


Energia acumulada antes da reprodução

Diversas espécies de tartarugas-marinhas utilizam uma estratégia conhecida como capital breeding.


Nesse modelo, os animais podem passar dois a três anos ou mais se alimentando e acumulando reservas energéticas antes da reprodução. Durante a temporada de desova, essas reservas passam a sustentar grande parte das necessidades do organismo enquanto a ingestão de alimento pode ser reduzida.


Isso significa que migração, produção dos ovos, deslocamento até a praia e sucessivas desovas dependem fortemente da energia armazenada anteriormente.


O sangue revelou mudanças ao longo da temporada

Os pesquisadores acompanharam marcadores associados à nutrição e ao metabolismo, incluindo volume globular, β-hidroxibutirato (BHB), proteína total, glicose e lactato. Nas tartarugas-cabeçudas também foram avaliados ureia sanguínea e colesterol.


Os resultados mostraram respostas diferentes entre as espécies.


Nas tartarugas-de-couro, houve redução significativa do volume globular, BHB, proteína total e lactato ao longo da temporada.

Nas tartarugas-cabeçudas, diminuíram o volume globular, a proteína total, o lactato e o colesterol, enquanto a ureia sanguínea aumentou.

Já nas tartarugas-verdes, foi observada redução da proteína total e aumento da glicose.


Por que essas alterações acontecem?

Um dos achados comuns entre as espécies foi a redução da proteína total ao longo da temporada. Os autores relacionam essa mudança principalmente à menor ingestão alimentar e ao estado catabólico associado ao período de reprodução.


O estudo também identificou relações entre diferentes marcadores sanguíneos compatíveis com maior demanda energética, esforço muscular e adaptações metabólicas durante a desova.


Apesar dessas mudanças, os animais avaliados foram considerados clinicamente saudáveis, reforçando que muitas dessas alterações fazem parte da resposta fisiológica natural à temporada reprodutiva.


Qual a importância para a conservação?

Conhecer os valores sanguíneos esperados durante diferentes momentos da temporada de desova é importante porque evita interpretar uma alteração fisiológica normal como sinal de doença.


Esses dados também podem servir como referência para monitoramento de populações, manejo de conservação e avaliação clínica de tartarugas adultas em centros de reabilitação.

O estudo reforça que a reprodução das tartarugas-marinhas envolve muito mais do que a postura dos ovos. É um processo que mobiliza reservas acumuladas ao longo de anos e provoca mudanças mensuráveis em todo o metabolismo.


Referência:Kaleel, K. L. et al. Blood analytes relevant to nutritional status and energy metabolism in three sea turtle species across nesting season. Journal of Comparative Physiology B, 2026.

 
 
 

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