Mais biodiversidade pode melhorar o bem-estar dos peixes? Estudo com lebistes traz novas evidências
- News Fauna em foco

- há 4 horas
- 2 min de leitura

A composição de um aquário pode influenciar muito mais do que sua aparência. Um estudo publicado em 2026 na revista Applied Animal Behaviour Science investigou se diferentes níveis de biodiversidade vegetal poderiam afetar o bem-estar de lebistes (Poecilia reticulata).
Os pesquisadores realizaram dois experimentos. Primeiro, avaliaram se os peixes apresentavam preferência entre um ambiente contendo três espécies de plantas e outro com apenas uma espécie. Nesse teste, não foi observada preferência significativa pelo ambiente com maior biodiversidade.
Em seguida, os lebistes foram mantidos durante 30 dias em três condições: alta biodiversidade vegetal, com três espécies de plantas; baixa biodiversidade, com uma única espécie; e um ambiente controle, sem plantas. Após esse período, foram avaliados indicadores comportamentais e fisiológicos relacionados ao bem-estar.
Nos testes comportamentais, a presença de plantas esteve associada à redução de comportamentos relacionados à ansiedade quando comparada ao ambiente sem vegetação. Entretanto, esse benefício não dependeu necessariamente de haver três espécies diferentes: os grupos com uma e três espécies apresentaram respostas comportamentais distintas, mostrando que a presença e até a espécie de planta utilizada podem influenciar os resultados.
Já nos indicadores fisiológicos, surgiu um resultado particularmente interessante. Os peixes mantidos com três espécies de plantas apresentaram menor concentração basal de cortisol em comparação ao grupo sem plantas. As médias foram de 9,58 ng/mL no grupo de alta biodiversidade, 12,07 ng/mL no grupo de baixa biodiversidade e 16,58 ng/mL no grupo controle. A diferença estatisticamente significativa ocorreu entre o grupo sem plantas e o grupo com três espécies.
Esses resultados sugerem que ambientes com maior biodiversidade vegetal podem favorecer aspectos fisiológicos do bem-estar dos lebistes, embora os próprios autores ressaltem que os efeitos encontrados foram parciais e ainda precisam ser investigados em outras espécies e com diferentes formas de biodiversidade.
Do ponto de vista prático, o trabalho reforça uma ideia cada vez mais importante no manejo de animais aquáticos: o aquário não deve ser pensado apenas como um espaço visualmente bonito, mas como um ambiente capaz de oferecer condições adequadas para o comportamento e a fisiologia dos animais. Os autores apontam que o enriquecimento com elementos naturais, como plantas, pode ser uma ferramenta relevante para o bem-estar de peixes mantidos em cativeiro.

Fonte: Varracchio, C. et al. (2026). High biodiversity may improve fish welfare. Applied Animal Behaviour Science, 300, 107001.




Comentários