O incrível jejum dos pinguins-reais
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- há 4 dias
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O King Penguin (Aptenodytes patagonicus) apresenta uma das estratégias fisiológicas mais impressionantes entre as aves marinhas: a capacidade de suportar longos períodos de jejum.
Durante a reprodução e durante a muda das penas, esses pinguins podem permanecer semanas sem acesso ao alimento. Nesse período, o organismo passa a depender exclusivamente das reservas energéticas armazenadas no próprio corpo.
O metabolismo entra então em um processo sequencial de mobilização de recursos. Inicialmente, os lipídios são utilizados como principal fonte de energia. À medida que o jejum se prolonga, ocorre também o catabolismo de proteínas corporais.
Esse processo possui uma consequência interessante do ponto de vista isotópico. Durante o catabolismo proteico, o nitrogênio leve (¹⁴N) tende a ser excretado preferencialmente, enquanto o ¹⁵N se acumula relativamente nos tecidos. O resultado é um enriquecimento na razão isotópica δ¹⁵N.
Em estudos de ecologia trófica baseados em isótopos estáveis, esse enriquecimento poderia ser interpretado como um aumento no nível trófico do animal. No entanto, nesse caso, ele não reflete uma mudança na dieta, mas sim um efeito fisiológico associado ao jejum prolongado.
O estudo também demonstrou que diferentes tecidos respondem de forma distinta a esse processo. Tecidos com maior taxa de renovação, como o plasma sanguíneo, apresentam alterações isotópicas mais rápidas do que tecidos com turnover mais lento, como os glóbulos vermelhos.
Esses resultados demonstram que compreender o estado fisiológico dos animais é essencial para interpretar corretamente dados isotópicos em estudos ecológicos.
Referência
Cherel, Y. et al. (2005). Nutrition, physiology, and stable isotopes: new information from fasting and molting penguins. Ecology, 86(11), 2881–2888.




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