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O segredo químico na dieta de cetáceos


A alimentação de cetáceos é frequentemente analisada sob a perspectiva da biomassa e do conteúdo energético. No entanto, um estudo realizado no Golfo da Biscaia amplia essa visão ao considerar a composição em elementos-traço das espécies forrageiras.


Ao analisar 78 espécies, os autores identificaram grupos nutricionais distintos por meio de análise de agrupamento hierárquico (HCA). Esses grupos não se diferenciam apenas pela densidade energética, mas também pela composição elementar.


Espécies como Delphinus delphis, Phocoena phocoena e Balaenoptera acutorostrata dependem majoritariamente de pequenos peixes pelágicos, associados a um grupo nutricional enriquecido em Selênio (Se).


Por outro lado, Globicephala melas e Grampus griseus, cuja dieta inclui majoritariamente cefalópodes bentônicos, apresentam perfis enriquecidos em Cobre (Cu).


Esse padrão demonstra que a transferência de biomassa ao longo da teia alimentar não implica transferência equivalente de micronutrientes. A eficiência trófica depende também da qualidade química do fluxo de nutrientes.


Variações na disponibilidade de presas com perfis elementares específicos podem impactar processos fisiológicos fundamentais, como atividade enzimática, função antioxidante, resposta imune e regulação metabólica.


Assim, estratégias de conservação que consideram apenas biomassa podem deixar de lado um componente essencial: o equilíbrio bioquímico no topo da cadeia trófica.


Referência: Chouvelon, T., Spitz, J., Caurant, F., Mèndez-Fernandez, P., Autier, J., Lassus-Debat, A., & Bustamante, P. (2022). Nutritional grouping of marine forage species reveals contrasted exposure of high trophic levels to essential micro-nutrients. Oikos, 2022, e08844. https://doi.org/10.1111/oik.08844

 
 
 

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