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Beluga e narval podem cruzar? Estudo confirma híbrido entre as duas espécies

2 de set.
1 min de leitura

A natureza ainda guarda muitas histórias que só conseguimos compreender anos depois. Um exemplo curioso ocorreu no Ártico, envolvendo duas espécies de cetáceos bastante conhecidas: a beluga (Delphinapterus leucas) e o narval (Monodon monoceros).


Em 1990, um crânio com características incomuns foi encontrado na Groenlândia. Sua morfologia apresentava traços intermediários entre as duas espécies, principalmente na dentição, o que levantou a hipótese de que o animal pudesse ser um híbrido.


Décadas depois, pesquisadores analisaram o DNA preservado no material e confirmaram a suspeita. Os resultados mostraram que o indivíduo era um híbrido de primeira geração (F1), com aproximadamente 54% de ancestralidade de beluga e 46% de narval.


A análise do DNA mitocondrial também permitiu identificar a linhagem materna: a mãe era um narval, enquanto o pai era uma beluga. O estudo ainda indicou que o híbrido era macho.


Além da genética, os pesquisadores investigaram sua alimentação por meio da análise de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio presentes nos ossos. O híbrido apresentou uma assinatura diferente daquela observada nas belugas e nos narvais analisados, sugerindo um comportamento alimentar particular e possivelmente maior consumo de presas bentônicas, associadas ao fundo marinho.


O achado é especialmente interessante porque demonstra que belugas e narvais são capazes de cruzar e produzir descendentes viáveis. Também evidencia a importância das coleções de história natural, já que um material preservado por décadas pôde ser analisado posteriormente com técnicas genômicas modernas.


Referência: Skovrind, M. et al. Hybridization between two high Arctic cetaceans confirmed by genomic analysis. Scientific Reports, 2019.

 
 
 

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