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O Paradoxo da Dieta das Lontras-Marinhas: por que comem mais amêijoas no inverno?


Cientistas descobriram um paradoxo intrigante em sua dieta de moluscos.


A análise da composição macronutricional da dieta de Enhydra lutris revelou um fenômeno contraintuitivo: o consumo de amêijoas (clams) aumenta significativamente durante os meses de outono e inverno, apesar de essas presas apresentarem menor densidade energética e menor teor lipídico em comparação com a primavera.


Esse achado desafia a interpretação simplista da Teoria do Forrageamento Ótimo, que prevê maximização do retorno energético por unidade de esforço. Embora predadores frequentemente priorizem presas de maior valor calórico, o comportamento observado sugere que a decisão alimentar das lontras é modulada por múltiplos fatores ecológicos.


Enquanto a ingestão energética de pepinos-do-mar acompanha sua qualidade nutricional sazonal, a maior proporção de amêijoas no inverno pode refletir:

• maior abundância relativa dessa presa;

• maior previsibilidade espacial;

• menor custo de captura;

• redução da disponibilidade de presas alternativas de alto teor energético.


Em ambientes frios, onde o custo metabólico é elevado, a estratégia pode não ser maximizar a densidade energética por item, mas garantir uma taxa estável de ingestão energética (EIR) ao longo do tempo. Assim, mesmo com menor valor calórico individual, as amêijoas podem representar um recurso mais confiável durante o inverno.


Esse “paradoxo da amêijoa” evidencia a plasticidade ecológica da espécie e reforça como a ecologia nutricional é essencial para compreender os impactos da recolonização das lontras-marinhas sobre comunidades bentônicas e pescarias costeiras no Southeast Alaska.


Referência completa:

Laroche, N. L., Tinker, M. T., Konar, B., & Bodkin, J. L. (2023). Macronutrient composition of sea otter diet with respect to recolonization, life history, and season in southern Southeast Alaska. Ecology and Evolution, 13(5), e10042. https://doi.org/10.1002/ece3.10042

 
 
 

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