Lactação em jejum: a estratégia metabólica das focas
- News Fauna em foco

- 25 de fev.
- 1 min de leitura

Produzir um dos leites mais energéticos do reino animal enquanto permanece em jejum é uma das adaptações fisiológicas mais marcantes observadas nas focas da família Phocidae.
Esses animais utilizam a chamada “criação por capital”, estratégia na qual as fêmeas acumulam grandes reservas energéticas antes do parto e passam todo o período de lactação sem se alimentar. Embora esse período seja relativamente curto — variando de poucos dias até cerca de um mês, dependendo da espécie — ele é metabolicamente intenso.
Durante a lactação, as mães podem perder até um terço da massa corporal pós-parto. A taxa metabólica pode ultrapassar em várias vezes o valor previsto pela equação de Kleiber, e há mobilização ativa tanto de gordura quanto de proteína corporal para sustentar a produção de leite.
O leite das focas é altamente concentrado, podendo conter 30–50% de gordura (ou mais, em algumas espécies) e 10–18% de proteína. Essa elevada densidade energética permite crescimento acelerado dos filhotes em um período curto, favorecendo o acúmulo de reservas antes da independência.
Um aspecto fisiológico particularmente relevante é que, diferentemente da maioria dos animais em jejum, as focas lactantes não “poupam” proteína. Parte significativa da proteína corporal materna é direcionada à síntese do leite, evidenciando uma estratégia metabólica especializada.
Baseado em:Champagne, C. D. et al. (2012). Fasting Physiology of the Pinnipeds: The Challenges of Fasting While Maintaining High Energy Expenditure and Nutrient Delivery for Lactation. In: McCue, M. D. (ed.). Comparative Physiology of Fasting, Starvation, and Food Limitation. Springer.




Comentários